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Nascida em 14 de março de 1914, na cidade de Sacramento, em Minas Gerais, Carolina Maria de Jesus (1914-1977) completaria 112 anos neste sábado, 14.
Carolina foi descoberta pelo jornalista Audálio Dantas no final dos anos 1950, quando vivia na favela do Canindé, em São Paulo, com três filhos. Ela trabalhava como catadora e escrevia todas os dias em seu diário, intercalando com outros tipos de criações literárias.
Décadas depois da publicação do livro Quarto de Despejo: Diário de uma Favelada, lançado em 1960, a autora segue sendo reconhecida como uma das vozes mais importantes da literatura brasileira por mostrar, a partir de sua própria experiência, a dramática realidade das favelas e da população marginalizada.
Em 1961, com o sucesso da publicação do livro, Carolina gravou suas composições em disco lançado pela gravadora RCA Victor, com direção artística de Júlio Nagib e arranjos do Maestro Chiquinho de Moraes.
O trabalho, intitulado Quarto de Despejo: Carolina Maria de Jesus Cantando Suas Composições, contém 12 faixas autorais de samba, marcha e baião. Por ser o primeiro e único álbum musical gravado por ela, é um dos mais valiosos LPs do mercado e cobiçado por colecionadores.
Paulo Sakae Tahira, proprietário da loja Patuá Discos, localizada na região da Vila Madalena, é um dos poucos comerciantes brasileiros que possuem esta raridade em seu acervo. O disco está precificado em R$ 2 mil.
"O LP reflete a mesma história que ela contou no livro. A fome, a falta de condições para sustentar os filhos. Ela é uma pessoa de muito valor", explica Tahira. "Documentar e divulgar esse material, seja em livro, seja em disco, é muito importante e um dos fundamentos sobre os quais a minha loja se baseia".
Neste ano, a escritora mineira foi homenageada pela Unidos da Tijuca no Carnaval 2026, no Rio de Janeiro, com um enredo que narrou sua luta contra a desigualdade e destacou sua força intelectual e resistência.
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