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Um sistema de boias inteligentes que emitem ondas ultrassônicas será usado para reduzir a proliferação de algas que têm formado 'natas verdes' sobre as águas do Rio Tietê, no interior de São Paulo. O projeto piloto será implantado pela Companhia Ambiental do Estado de São Paulo (Cetesb), no Córrego do Esgotão, em Sabino, que fica à 472 km da capital. A área tem histórico de florações intensas de cianobactérias que formam manchas esverdeadas na superfície da água. A expectativa é que a medida entre em vigor em agosto.
O anúncio do projeto faz parte de um pacote de novas medidas no contexto do Programa IntegraTietê.
Como já mostrou o Estadão, a intensa formação de algas e de aguapés em períodos de baixa vazão no Rio Tietê, entre Barra Bonita e Sabino, tem afetado a presença de turistas nas praias de água doce e prejudicado a pesca e a navegação pelo rio.
O projeto prevê a instalação de 14 boias inteligentes interligadas, capazes de emitir ondas ultrassônicas e monitorar continuamente a qualidade da água. O objetivo é reduzir a proliferação das algas sem a utilização de produtos químicos e sem causar danos ao ecossistema aquático.
A cidade de Sabino foi escolhida para receber o projeto-piloto porque reúne características que a tornam um ambiente ideal para testar e avaliar essa tecnologia em condições reais, segundo o diretor-presidente da Cetesb, Thomaz Toledo. "A região apresenta histórico de florações de algas, conta com uma base consistente de dados de monitoramento e possui relevância para atividades de lazer, turismo e pesca. Isso permite que os resultados sejam acompanhados tanto do ponto de vista ambiental quanto dos benefícios percebidos pela população", explica.
A instalação do sistema, que já é utilizado em mais de 60 países, está prevista para agosto deste ano, com a chegada das boias. A expectativa é que os primeiros resultados possam ser observados a partir de 90 dias do início da operação. Os técnicos vão monitorar continuamente a formação de algas em uma área equivalente a 130 campos de futebol, com volume de água suficiente para encher 2.800 piscinas olímpicas.
Como vai funcionar?
A tecnologia é movida a energia solar. As boias emitem ondas ultrassônicas em diferentes frequências para interferir na capacidade de flutuação das algas. Com isso, elas encontram mais dificuldade para permanecer próximas à superfície, onde recebem luz solar para realizar a fotossíntese.
Ao migrar para camadas mais profundas da água, a tendência é a interrupção do ciclo de vida da espécie e que a formação das manchas esverdeadas seja reduzida. Cada boia possui alcance de aproximadamente 500 metros de diâmetro, cobrindo uma área equivalente a cerca de 28 campos de futebol.
Com investimento de cerca de R$ 9 milhões, o sistema utilizará inteligência embarcada com uso de algoritmos para ajustar automaticamente a frequência e a intensidade das ondas conforme as condições observadas na água.
Além disso, os equipamentos funcionarão como estações automáticas de monitoramento. Sensores instalados nas boias vão acompanhar continuamente parâmetros como oxigênio dissolvido, pH, turbidez, temperatura, clorofila e ficocianina.
O projeto também contará com uma estação meteorológica para cruzamento de informações sobre chuva, vento e temperatura, permitindo antecipar condições favoráveis ao surgimento das florações. Toda a operação será alimentada por energia solar e baterias de lítio.
Desenvolvida na Holanda, a tecnologia foi escolhida por combinar baixo impacto ambiental e capacidade de atuação em grandes áreas.
A causa da 'nata verde'
A formação das manchas esverdeadas no Rio Tietê está associada ao excesso de nutrientes na água, fenômeno conhecido como eutrofização. Em condições favoráveis, como altas temperaturas e maior incidência de luz solar, ocorre uma proliferação acelerada de algas e cianobactérias. Além do impacto visual, esses episódios podem comprometer a qualidade da água e afetar atividades como pesca, piscicultura, esportes náuticos e lazer, segundo a Cetesb.
Condições das prainhas
Além do projeto de controle das algas, a agência ambiental anunciou uma nova ferramenta para consultar as condições de balneabilidade das prainhas do Rio Tietê no interior. A companhia vai utilizar imagens de satélite e inteligência artificial para acompanhar as condições ambientais de praias públicas de várias cidades ao longo do rio e de seus reservatórios. Os resultados serão divulgados semanalmente em painel aberto à população.
A iniciativa será implantada inicialmente em oito praias distribuídas em três reservatórios. Em Barra Bonita, serão acompanhadas as praias de Anhembi e Rio Bonito (Botucatu). Em Ibitinga, o projeto será implantado em Arealva e Iacanga. Já em Promissão, a tecnologia será aplicada nas praias de Mendonça, Sales, Ubarana e Sabino. Os dados serão disponibilizados semanalmente em um painel aberto ao público.
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