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Israel ataca ponto de encontro de aiatolás no Irã; Trump diz que há 'vácuo de liderança'

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Estados Unidos e Israel ampliaram nesta terça-feira, 3, os ataques contra a cúpula do regime iraniano, com um bombardeio contra o prédio da Assembleia de Especialistas na cidade sagrada de Qom, onde 88 aiatolás deveriam se reunir para definir quem substituirá o líder supremo Ali Khamenei, morto no sábado. Até o momento, a mídia estatal iraniana não confirmou se havia de fato algum religioso entre os mortos.

Mais tarde, em Washington, o presidente americano, Donald Trump, declarou que dos candidatos que o governo havia considerado para a liderança, alguns já morreram.

Questionado sobre quem ele gostaria que assumisse o controle do Irã, o Sr. Trump deu uma resposta surpreendentemente direta. "A maioria das pessoas que tínhamos em mente já morreu", disse ele. "Agora temos outro grupo, que também pode estar morto, segundo relatos. Então, teremos uma terceira onda. Em breve, não conheceremos mais ninguém."

O quarto dia de guerra foi marcado também pelo avanço terrestre israelense no Líbano, para combater a milícia xiita Hezbollah, aliada do regime iraniano.

Ataque em Qom

O governo iraniano ainda não se manifestou sobre o ataque, noticiado pela agência Tasnim. "Os criminosos sionistas americanos atacaram o prédio da Assembleia de Especialistas em Qom", ao sul de Teerã, informou a agência. A mídia local divulgou imagens do prédio bastante danificado.

O jornal The Times de Israel informou que a reunião teria a presença de 88 aiatolás, mas ainda não se sabe quantos deles estavam no local no momento do ataque.

Mais cedo, o exército israelense afirmou ter atacado o gabinete presidencial do Irã e o prédio do Conselho Supremo de Segurança Nacional do país. Segundo informações, os ataques aéreos ocorreram durante a noite.

"A Força Aérea iniciou uma onda de ataques em grande escala contra as infraestruturas do regime terrorista iraniano em Teerã", afirmou o Exército israelense em comunicado.

Guerra no Líbano

No front libanês do conflito, o ministro da Defesa israelense autorizou o avanço terrestre para tomar novas posições estratégicas e impedir ataques às localidades fronteiriças.

Israel afirmou também ter matado um comandante da Força Quds do Irã, uma unidade de elite da Guarda Revolucionária Islâmica, responsável por operações de grupos paramilitares iranianos no Líbano, em um ataque aéreo em Teerã hoje cedo.

As Forças de Defesa de Israel identificaram o comandante como Daoud Ali Zadeh.

Os militares israelenses também afirmaram que haviam alvejado depósitos de armas em Beirute, a capital libanesa, enquanto o Hezbollah alegou ter disparado drones de ataque contra Israel.

O avanço israelense no sul do Líbano gerou temores de que o país esteja planejando um ataque terrestre mais amplo, semelhante ao lançado durante a guerra de um ano contra o Hezbollah, que terminou no final de 2024.

Críticas na Casa Branca

Falando a repórteres no início de uma reunião na Casa Branca com o chanceler alemão Friedrich Merz, o Sr. Trump afirmou que o Irã estava prestes a atacar seus vizinhos e Israel, e que ele tomou a decisão de entrar em guerra para impedir essa ação. Autoridades com acesso à inteligência americana disseram que o Sr. Trump exagerou a iminência de qualquer ameaça que o Irã representasse para os Estados Unidos.

"Estávamos negociando com esses lunáticos, e na minha opinião eles iriam atacar", disse ele. Questionado se Israel o havia forçado a agir, como foi amplamente divulgado, ele respondeu: "Na verdade, talvez eu tenha forçado Israel a agir".

Quando questionado sobre o papel de aliados europeus na guerra, Trump centrou suas críticas contra a Espanha. "Algumas nações europeias foram prestativas, outras não" na guerra", disse ele. Ele destacou a Alemanha como exemplo positivo e a Espanha negativo.

Na sequência, Trump ameaçou a Espanha de corte nas relações comerciais com os EUA.

A quarta-feira também foi marcada pelo fechamento de embaixadas americanas no Líbano, na Arábia Saudita e no Kuwait após drones iranianos atingirem representações diplomáticas americanas no Golfo. O Departamento de Estado também ordenou a retirada de pessoal não essencial de outros cinco países.

Desde a segunda-feira, o Irã tem aumentado ataques com drones contra alvos diplomáticos, militares e comerciais dos EUA e aliados em toda a região para retaliar os bombardeios de Israel e EUA que levaram à morte do líder supremo, Ali Khamenei no sábado. Com isso, funcionários governamentais americanos não essenciais e suas famílias deixarão os Emirados Árabes Unidos, Catar, Kuwait, Bahrein, Iraque e Jordânia.

O contra-ataque iraniano também atingiu indústrias produtoras de gás e combustível, além de prejudicar o transporte de petróleo pelo Estreito de Ormuz, por onde passam 20% da produção mundial.

O Irã lançou centenas de mísseis e drones contra os Estados do Golfo que abrigam bases aéreas dos EUA, incluindo os Emirados Árabes Unidos, o Catar e o Bahrein. A Jordânia também relatou ataques. A maioria dos ataques parece ter sido interceptada. A noite de ataques, no entanto, ampliou a preocupação em Washington e nos mercados com os prejuízos provocados pelo conflito. (COM AGÊNCIAS INTERNACIONAIS)

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