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Masp apresenta 1ª retrospectiva de Sandra Gamarra Heshiki e dá foco à arte da América Latina

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Se 2026 é o ano em que a latinidade está em alta, o Masp (Museu de Arte de São Paulo Assis Chateaubriand) acertou em cheio na escolha da temática que guia sua programação anual. A primeira grande exposição do ciclo Histórias latino-americanas é inaugurada nesta sexta, 6, com uma retrospectiva inédita da artista peruana Sandra Gamarra Heshiki.

A mostra Réplica ocupa o 1º andar do Edifício Lina Bo Bardi com mais de 70 obras, entre pinturas, esculturas, instalações e vídeo. No mesmo dia, o museu abre outras duas exposições: La Chola Poblete: Pop Andino, no 2º andar do Edifício Pietro Maria Bardi, e no Claudia Alarcón & Silät: Viver Tecendo, no 3º andar do mesmo prédio. Saiba mais sobre elas abaixo.

Nascida em Lima em 1972, Sandra Gamarra Heshiki pode ser considerada uma das principais artistas latino-americanas no cenário da arte contemporânea internacional. Quem afirma isso é Guilherme Giufrida, curador assistente do Masp, que elaborou a mostra com Adriano Pedrosa, diretor artístico do museu, Florencia Portocarrero, curadora independente, e Sharon Lerner, diretora artística do Mali (Museo de Arte de Lima), organização que exibirá a exposição em versão adaptada depois do museu paulistano.

Sandra começou a carreira no final dos anos 1990 com trabalhos que questionavam o papel dos espaços culturais tradicionais na produção artística. Em 2002, ela criou o LiMac - Museo de Arte Contemporáneo de Lima, um museu fictício que opera com um website, como uma forma de criticar a ausência de uma instituição dedicada à arte contemporânea em Lima.

"Ela é uma artista que vem dessa tradição de comentar o sistema da arte e de parodiar os museus e as galerias. Tem toda essa discussão sobre o espaço institucional", diz Giufrida. "Ao mesmo tempo, ela tem uma formação em pintura, uma dimensão técnica formal extremamente virtuosa."

No início dos anos 2000, Sandra mudou-se para a Espanha, onde passou a mergulhar também em temas como apropriação artística e a crítica decolonial, a partir da percepção de como museus espanhóis exibiam obras nacionais e obras de países colonizados.

A retrospectiva no Masp opera dentro dessa lógica crítica. "Organizamos a exposição a partir dessa ideia de réplica de museu. As salas têm uma organização que alude à cronologia", explica Giufrida. A mostra é dividida em seis núcleos: "pré-colonial", "colonial", "pós-independência", "moderno", "contemporâneo", além de uma sala dedicada ao LiMac.

O título Réplica também alude à maneira como Sandra lida com a própria produção artística a partir da cópia e da reinterpretação. "Uma retrospectiva seria quase que um contrassenso, de alguma maneira, porque ela poderia copiar todo o trabalho dela. Mergulhamos nesse universo de trazer pinturas dela de vários períodos, até para observamos as transformações na própria técnica dela e nos interesses", diz o curador.

Os curadores e Sandra mapearam mais de 800 obras realizadas em 25 anos de carreira até chegarem nas cerca de 70 que compõem a exposição. Giufrida destaca que há muitos trabalhos expostos pela primeira vez no País, de telas produzidas nos anos 2000, antes da artista passar a ser representada no Brasil pela Galeria Lema, até obras que vieram de coleções importantes na Espanha, como o Centro Galego de Arte Contemporânea, em Santiago de Compostela.

"A minha dica é que a pessoa venha pronta para imaginar, que entre na narrativa da exposição e acompanhe um pouco a ficção que criamos de transformar a mostra em um um museu cronológico. E, claro, lendo os textos e entendendo as paródias, as críticas, as inversões, as provocações e as interferências que a Sandra faz", sugere Giufrida.

Histórias latino-americanas

O Masp inaugurou o ciclo Histórias Latino-Americanas em fevereiro com a videoinstalação Openings (2022), de Clara Ianni, em cartaz até 22 de março no 2° subsolo do Edifício Lina Bo Bardi. Agora, o museu faz uma abertura ampla com outras duas mostras além de Sandra Gamarra Heshiki: Réplica.

A exposição La Chola Poblete: Pop Andino reúne trabalhos da artista argentina La Chola Poblete (Guaymallén, 1989), que faz em sua obra uma ressignificação da arte pop sob um contexto latino-americano, com referências que vão da moda e música contemporânea até à arte barroca.

O termo "chola", que a artista leva no nome, é uma injúria racial comum contra mulheres de ascendência indígena em países da região dos Andes. A artista se apropria do termo e, entre cartazes, aquarelas, instalações, desenhos e performances, articula discussões sobre gênero, sexualidade, religião e colonialismo.

Já a mostra Claudia Alarcón & Silät: Viver Tecendo une os trabalhos da argentina Claudia Alarcón (La Puntana, 1989) e de Silät, um coletivo formado por mais de cem tecedeiras do povo Wichi. São 25 obras feitas com técnicas de tecelagem a partir de fios de chaguar, uma planta nativa da região do Gran Chaco, no norte da Argentina.

Outro ponto em comum entre o trabalho do coletivo e da artista é a representação de mitos da cultura Wichi. Na obra Mujeres estrellas [Mulheres-estrelas], por exemplo, Alarcón apresenta a mitologia das mulheres-estrelas - a lenda diz que mulheres eram estrelas no céu e desciam à Terra todas as noites por fios de chaguar tecidos por elas.

Até o fim do ano, o Masp ainda apresentará obras de Santiago Yahuarcani, Colectivo Acciones de Arte (CADA), Damián Ortega, Sol Calero, Carolina Caycedo, Pablo Delano, Rosa Elena Curruchich, Manuel Herreros e Mateo Manaure, Jesús Soto e uma exposição coletiva internacional.

SERVIÇO

Sandra Gamarra Heshiki: réplica

Quando: 6/3 a 7/6.

Onde: Edifício Lina Bo Bardi, 1º andar - Masp (Avenida Paulista, 1.578)

La Chola Poblete: Pop andino

Quando: 6/3 a 2/8

Onde: Edifício Pietro Maria Bardi, 2º andar - Masp (Avenida Paulista, 1.578)

Claudia Alarcón & Silät: viver tecendo

Quando: 6/3 a 2/8

Onde: Edifício Pietro Maria Bardi, 3º andar - Masp (Avenida Paulista, 1.578)

Horário de funcionamento: Terças, das 10h às 22h. Quartas e quintas, das 10h às 18h; sextas, das 10h às 22h. Sábados, das 10h às 22h. Domingos, das 10h às 18h.

Quanto: R$ 85/R$ 42. Grátis às terças, o dia todo, e sextas, das 18h às 21h.

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