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No México, onda de violência de cartéis de droga obriga até mil famílias a abandonar suas casas

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Entre 800 e 1.000 famílias foram obrigadas a abandonar suas casas nas montanhas do centro do México, depois que uma máfia criminosa as atacou com explosivos caseiros lançados por drones e armas de grande porte, informaram grupos comunitários e de direitos humanos neste domingo, 10.

A onda de violência no estado de Guerrero, devastado por conflitos, começou na quarta-feira, quando um poderoso grupo conhecido como Los Ardillos começou a atacar violentamente as comunidades em uma região montanhosa rural.

Milhares de pessoas - incluindo crianças e idosos - foram forçadas a fugir em apenas alguns dias, após o que dizem ter sido anos de ataques crescentes. Pelo menos uma pessoa ficou ferida, informou uma organização que representa a comunidade, o Conselho Indígena Popular de Guerrero - Emiliano Zapata (Cipog-EZ).

Vídeos mostram famílias fugindo de suas casas no início da manhã de domingo - no Dia das Mães -, protegidas pela escuridão, com nada mais do que mochilas. Outras imagens compartilhadas com a AP mostram intensos tiroteios ecoando sobre fazendas e drones equipados com explosivos espalhados pela vegetação.

"Estes têm sido dias de terror", disse Marina Velasco, representante do Cipog-EZ. "Eles têm bombardeado as comunidades com drones, e como alguém pode se defender de um drone, com bombas caindo do céu?" Grupos comunitários e organizações religiosas locais afirmaram que Los Ardillos vêm tentando tomar posse das terras há anos, em sua disputa territorial com vários outros grupos criminosos rivais.

Velasco disse que as famílias fugiram para cidades próximas, onde muitas agora se refugiam em um campo de futebol. Velasco afirmou que, embora haja uma pequena presença de agentes do Estado, comunidades como essas têm sido amplamente "abandonadas" pelas forças mexicanas diante dos ataques de grupos criminosos. O governo federal do México e as autoridades estaduais locais em Guerrero não responderam imediatamente a um pedido de comentário.

A organização Cipog-EZ registrou 76 pessoas na região mortas pelo conflito com o grupo nos últimos anos, além de outras 25 que estão desaparecidas. Os cartéis vêm usando drones e armas mais sofisticadas há anos para travar a guerra, um sinal de quão arraigado está o conflito em regiões como Guerrero, onde os cartéis se fragmentaram em facções rivais. Cada vez mais, as próprias comunidades têm pegado em armas para lutar contra grupos como Los Ardillos.

O derramamento de sangue ocorre num momento em que a presidente mexicana, Claudia Sheinbaum, tem adotado uma postura mais dura contra os cartéis do que seu antecessor, diante da crescente pressão do presidente Donald Trump, que ameaçou tomar medidas militares contra esses grupos - medidas que Sheinbaum considerou "desnecessárias".

A iniciativa de Sheinbaum resultou em uma queda acentuada nos homicídios - cerca de 40% - desde que ela assumiu o cargo, um número que o governo tem alardeado, mesmo tendo sido abalado por uma série de escândalos nas últimas semanas./AP

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