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Ainda que o duelo entre O'Higgins e São Paulo seja pela Copa Sul-Americana, há uma referência direta à Libertadores. O clube chileno é nomeado em homenagem a Bernardo O'Higgins, líder militar que comandou a luta por independência do Chile e primeiro chefe de Estado do país.
O'Higgins tornou-se assim um dos Libertadores da América, como são conhecidos os líderes que conduziram os processos de independência dos países sul-americanos. Outros clubes também fazem referência a personagens deste grupo, como os argentinos San Martín de Tucumán e Club Atlético San Martín (em alusão a José de San Martín) e o boliviano Bolívar (em alusão a Simón Bolívar).
Bernardo O'Higgins, conta a Enciclopédia Britannica, era filho ilegítimo de Ambrósio O'Higgins. O pai, irlandês, era um oficial espanhol e chegou a governar o que era o Vice-Reino do Peru, colônia da Espanha. A região incluía o atual Chile. O filho usou o nome da mãe até 1801, quando Ambrósio morreu.
O Libertador nasceu em 1778 em Chillán, hoje cidade no Chile. Ainda no começo da adolescência, foi para Lima, onde completou os estudos. Posteriormente, mudou-se para a Espanha e, depois, Inglaterra. Foi no período em Londres que desenvolveu sentimento nacionalista pelo Chile.
Foi lá que, segundo a Revista de História da Universidade de São Paulo (USP), O'Higgins conheceu o general venezuelano Francisco Miranda. Ele era um dos precursores do movimento de independência hispano-americana.
O'Higgins voltou ao Chile após a morte do pai, herdando uma fazenda na região de Chillán. Posteriormente, ele integrou o conselho municipal.
O sistema colonial já enfrentava dificuldades e passou a se fragilizar ainda mais a partir de 1910. O'Higgins se uniu ao general argentino José de San Martín na liderança de um exército combinado que derrotou os espanhóis em 1817.
Em seguida, ele foi declarado líder supremo e governou o Chile recém-independente de 1817 a janeiro de 1823. Ainda conforme a publicação da USP, há historiadores chilenos que denominam o governo de O'Higgins como "ditadura", ainda que ele, pessoalmente, tivesse convicções republicanas.
Entretanto, foi responsável pela organização governamental. O seu governo antagonizou-se com a Igreja Católica presente no Chile e parte da aristocracia. Após o encerramento dos conflitos remanescentes pós-independência, O'Higgins perdeu apoio político. Ele acabou pressionado a renunciar. O destino foi o exílio no Peru, onde morreu em 1842.
Pouco mais de 110 anos depois, dois clubes de Rancagua fundiram-se: o Braden e o Instituto O'Higgins deram origem ao O'Higgins Braden. Posteriormente, o América também se somou ao que virou o O'Higgins moderno.
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