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Vila Nova diz ter identificado torcedor suspeito de racismo contra jogador do Operário-PR

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O Vila Nova-GO comunicou neste domingo que identificou o torcedor suspeito de cometer racismo contra o cabo-verdiano Berto, do Operário de Ponta Grossa, após o duelo entre as equipes no último sábado, no Estádio Onésio Brasileiro Alvarenga, em Goiânia, em jogo válido pela 5ª rodada da Série B do Campeonato Brasileiro.

De acordo com nota oficial do clube goiano publicada nas redes sociais, o suspeito foi identificado através do sistema interno de segurança do estádio e do reconhecimento facial do clube. A identidade da pessoa não foi revelada.

"O Vila Nova Futebol Clube repudia qualquer forma de discriminação, como a relatada pelo atleta Berto, do Operário Ferroviário, após a partida de ontem pelo Campeonato Brasileiro B, bem como atos de violência. Esta instituição, em toda a sua história, combateu qualquer forma de ato discriminatório e, no caso específico da racial, sempre realizou campanhas ativas de prevenção, seja nas camisas dos atletas e nos estádios, no alambrado, de forma sonora, telões e nas campanhas sociais", disse o clube em nota, repudiando o caso.

Ainda segundo o Vila Nova, o suspeito foi levado à Central de Flagrantes, em Goiânia, para registro de Boletim de Ocorrência junto à Polícia Militar e Civil.

"A denúncia de injúria racial feita pelo atleta Berto ao término da partida gerou ação imediata do clube, que acionou prontamente o policiamento do estádio. Por meio do sistema interno de segurança e reconhecimento facial do clube, identificamos o suspeito, e prontamente informado às autoridades competentes para a adoção das providências legais. O respectivo Boletim de Ocorrência foi devidamente registrado junto às Polícias Militar e Civil acompanhado pelo representante do clube."

Berto alegou ter sido chamado de "macaco" por um torcedor após a derrota para Vila Nova por 2 a 1. O atacante chegou a discutir com torcedores que estavam atrás do banco de reservas, de onde teria partido a ofensa. Em um vídeo que circula nas redes sociais, é possível ver o jogador aos prantos.

Além disso, também houve uma confusão generalizada, com arremesso de garrafas e copos para dentro de campo. O presidente do Operário, Álvaro Goes, chegou a ter um sangramento no rosto após ser atingido. Sobre os objetos arremessados, o Vila Nova disse que o incidente começou por parte de Jhan Torres, do Operário-PR, e que um torcedor precisou levar quatro pontos após ser atingido na boca.

"Quanto ao arremesso de objetos, injustificáveis e repudiados por este clube, é importante deixar claro que a conduta inicial partiu do atleta do Operário, que lançou uma garrafa de isotônico parcialmente cheia e atingiu a boca de um torcedor. De imediato, como forma de reação instintiva, esse mesmo torcedor devolveu o lançamento do objeto, que atingiu o Presidente do Operário. O torcedor do Vila Nova teve lesão corporal em sua boca, necessitou de quatro pontos e atendimento médico na ambulância do estádio. Após atendimento médico, foi encaminhado para autoridade policial competente", disse o Vila Nova.

"O Vila Nova não medirá esforços para a completa apuração dos fatos e reafirma seu compromisso com a integridade do esporte. Ressaltamos que, em sendo comprovada a injúria racial após o trâmite do devido processo legal, é imperativa a aplicação das sanções cabíveis aos responsáveis. Como já demonstrado em outras ocasiões, o clube atua com responsabilidade e transparência, tendo sido protagonista em ações relevantes para o futebol brasileiro, como na denúncia que originou a Operação Penalidade Máxima. Seguimos firmes na defesa de um futebol mais justo, respeitoso e seguro para todos", completou.

O Operário também utilizou as redes sociais neste domingo para se manifestar sobre os incidentes no jogo de sábado. O clube repudiou os incidentes e também informou que imagens encaminhadas às autoridades revelam falas de cunho racista.

"O Operário Ferroviário repudia com absoluta veemência os atos de cunho racista sofridos por seus atletas após a partida deste sábado, em Goiânia, diante do Vila Nova. As imagens encaminhadas às autoridades evidenciam as manifestações discriminatórias. Um dos envolvidos já foi identificado e autuado em flagrante. O clube prestou imediato apoio aos jogadores e acompanhará o caso até as últimas instâncias, buscando a completa responsabilização dos envolvidos."

"O Operário ressalta que se trata de uma conduta individual, que não representa a instituição Vila Nova nem a maioria de seus torcedores. Agradecemos à diretoria do clube goiano pela postura colaborativa e pela solidariedade prestada aos nossos atletas e ao presidente do grupo gestor", disse a equipe paranaense em nota.

Sobre a confusão generalizada, o Operário-PR explicou que a situação é explicada pela gravidade da denúncia de Berto. "No que se refere aos acontecimentos posteriores, o Operário destaca que o ambiente foi marcado por elevada tensão decorrente da gravidade do ocorrido, circunstância que deverá ser considerada na devida análise. Reafirmamos que o racismo é abominável e inaceitável. O combate a essa prática exige a união de toda a sociedade. Seguiremos firmes, de forma intransigente, no combate ao racismo e na defesa incondicional de nossos profissionais."

Na súmula da partida, o árbitro Jodis Nascimento de Souza relatou tanto a denúncia de injúria racial como também a confusão generalizada.

"Após o término da partida, quando a equipe do Vila Nova e a equipe de arbitragem já tinham se dirigido aos seus respectivos vestiários, houve uma confusão entre torcedores do Vila Nova, que se localizavam atrás do banco de reservas do Operário-PR, e os jogadores visitantes de número 14 e 18. O atleta número 18 arremessou uma garrafa contra um torcedor, que arremessou a garrafa de volta ao campo de jogo, atingindo um senhor, posteriormente identificado como presidente do Operário-PR. O atleta número 14 arremessou um objeto na direção da arquibancada, não foi possível identificar se atingiu alguém", escreveu o juiz.

"Fomos informados no vestiário pelo delegado da partida, o senhor Leandro Lagares Pires de Souza, que após o término do jogo, já com a equipe de arbitragem no vestiário, o comandante da força policial do Bepe, foi até o vestiário informar que o atleta de número 14 o senhor Hildeberto José Morgado Pereira, alega ter sofrido injúria racial de um torcedor da equipe do Vila Nova. O atleta saiu do estádio acompanhado pelo policiamento em direção à delegacia para prestar queixa contra o torcedor. Informo que, até o término da elaboração da súmula, não foi apresentado boletim de ocorrência", explicou o árbitro.

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