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A tentativa de Daniel Vorcaro, dono do Banco Master, de criar influência no Congresso não se limitava ao pagamento de uma mesada de ao menos R$ 300 mil ao senador Ciro Nogueira (PP-PI), segundo afirma a Polícia Federal no relatório da quinta fase da Operação Compliance Zero. A investigação aponta também o custeio de estadias em hotéis de luxo em Nova York, despesas em restaurantes de alto padrão e a disponibilização de um cartão de crédito do banqueiro para uso pessoal do parlamentar, que foi alvo de busca e apreensão nesta quinta-feira, 7.
A defesa do senador afirmou que "repudia qualquer ilação de ilicitude sobre suas condutas, especialmente em sua atuação parlamentar". (Leia a íntegra abaixo.)
Investigadores apontam que Ciro Nogueira teria se hospedado, custeado pelo banqueiro, no Park Hyatt New York, hotel de luxo em Manhattan conhecido por suítes de alto padrão com vista para o Carnegie Hall, áreas amplas de até 116 m² e serviços exclusivos, como banheiros em mármore, banheiras de imersão, cortinas blackout e arrumação duas vezes ao dia.
As diárias do hotel variam de US$ 1.597 a mais de US$ 10 mil, a depender da categoria da acomodação, o que equivale, em conversão aproximada, a valores entre R$ 8 mil e R$ 50 mil.
A investigação da Polícia Federal indica que Vorcaro pagou ao senador "despesas em restaurantes de elevado padrão e outros gastos atribuídos ao parlamentar e à sua acompanhante".
"Há, ainda, referência à disponibilização de cartão destinado à cobertura de despesas pessoais", anota o relatório da PF.
Para ilustrar as despesas pagas pelo banqueiro ao parlamentar, investigadores apresentaram ao ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) André Mendonça um diálogo entre Léo Serrano, um dos operadores financeiros do esquema, e Daniel Vorcaro.
"Só uma pergunta rápida... eh pros meninos continuarem pagando conta dos restaurantes do Ciro/Flávia até sábado?", indagou Serrano.
"Sim. Depois leva meu cartão para St. Barths", respondeu Vorcaro em referência à ilha de São Bartolomeu, ilha caribenha compartilhada por milionários.
A Polícia Federal reforça no relatório que o senador usufruiu "de imóvel de propriedade de Vorcaro como se fosse do próprio parlamentar, além do custeio de viagens internacionais, hospedagens, restaurantes e voos privados".
"A narrativa policial enfatiza que os elementos colhidos demonstrariam a existência de um arranjo funcional e instrumental orientado por benefício mútuo, extrapolando relações de mera amizade", conclui a PF.
A quinta fase da Operação Compliance Zero determinou o bloqueio de R$ 18,8 milhões em bens dos investigados. Ao todo, a Polícia Federal cumpriu dez mandados de busca e apreensão e um de prisão temporária contra o primo de Daniel Vorcaro, Felipe Cançado Vorcaro.
Leia a íntegra da nota da defesa de Ciro Nogueira
"A defesa do Senador Ciro Nogueira repudia qualquer ilação de ilicitude sobre suas condutas, especialmente em sua atuação parlamentar.
Reitera o comprometimento do Senador em contribuir com a Justiça, a fim de esclarecer que não teve qualquer participação em atividades ilícitas e nos fatos investigados, colocando-se à disposição para esclarecimentos.
Pondera, por fim, que medidas investigativas graves e invasivas tomadas com base em mera troca de mensagens, sobretudo por terceiros, podem se mostrar precipitadas e merecem a devida reflexão e controle severo de legalidade, tema que deverá ser enfrentado tecnicamente pelas Cortes Superiores muito em breve, assim como ocorreu com o uso indiscriminado de delações premiadas."
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