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Alerta: a reportagem abaixo trata de temas como suicídio e transtornos mentais. Se você está passando por problemas, veja ao final do texto onde buscar ajuda.
A Agência Nacional de Proteção de Dados (ANPD) determinou a suspensão das transmissões ao vivo da plataforma Discord no Brasil em três dias úteis. A medida se trata, segundo ANPD, de ação preventiva.
As lives e outras ferramentas de compartilhamento de vídeo seguirão suspensas até que a plataforma comprove a adoção de medidas para proteger crianças e adolescentes no ambiente digital, conforme a agência, responsável por fiscalizar a aplicação do ECA (Estatuto da Criança e Adolescente) Digital.
O Estadão tenta contato com a plataforma.
O Discord, popular entre os jovens, é uma rede de comunicação que permite criar e participar de grupos (os "servidores"), com suporte a texto, chamadas de voz e vídeo. Em julho, o site foi utilizado para transmitir a automutilação e o suicídio de uma menina de 13 anos.
A plataforma tem sido frequentemente usada por redes online de terrorismo e extremismo, que incentivam automutilação, suicídio, tortura de crianças e animais, ataques a escolas, tiroteios em massa, entre outros tipos de violência.
Na semana passada, a primeira-dama Rosângela da Silva, a Janja, pediu o bloqueio do Discord "de qualquer forma" ao comentar a repercussão do caso. Especialistas têm defendido maior rigor na fiscalização das big techs, mas apontam os riscos de que a suspensão de uma plataforma faça com que os criminosos apenas migrem para outras redes.
"O Discord não está sendo bloqueado. O que a medida preventiva suspende é a funcionalidade 'Go Live', utilizada para transmissões ao vivo em servidores fechados", disse o superintendente de Fiscalização da ANPD, Fabrício Lopes, em nota divulgada pela agência. "Nosso objetivo é reduzir os riscos de danos graves ou de difícil reparação a que estão sendo expostas as crianças e adolescentes", acrescentou.
Na sexta-feira, 7, a ANPD havia instituído um procedimento de fiscalização para apurar se a empresa descumpre a lei brasileira de proteção a crianças e adolescentes no ambiente digital.
Na segunda-feira, 10, a ANPD recebeu um conjunto de informações por parte da empresa, e se reuniu com representantes do Discord no dia seguinte. Após analisar o caso, decidiu pela suspensão das lives.
A agência afirma que foram encontradas "evidências robustas" de que a empresa não adotou medidas razoáveis para prevenir e mitigar riscos de acesso e exposição de crianças e adolescentes com conteúdos de risco, que representem violações de direitos.
Entre os principais pontos destacados pela agência, estão:
- Mau uso recorrente: A ANPD considera que as lives na plataforma têm sido utilizadas para prática de violência, assédio e indução à automutilação e ao suicídio
- Sistemas falhos: a agência diz que o Discord não tem acesso aos conteúdos das lives em tempo real e, com isso, não conseguem analisar as violações enquanto elas ocorrem. "A plataforma depende de sistemas automatizados falhos e de denúncias dos próprios participantes desses ambientes voltados à prática dessas violações", diz a ANPD.
- Menos proteção: Segundo a ANPD, o Discord foi na contramão do ECA Digital, e às vésperas de sua entrada em vigor fez mudanças técnicas que tornaram a função live menos protetiva para crianças e adolescentes.
O que a agência analisou foi um conjunto de explicações apresentadas pela empresa no âmbito do processo de fiscalização instaurado pelo órgão. A ANPD ainda não analisou a proposta enviada pelo Discord à Advocacia Geral da União (AGU).
O Estadão apurou que, após a reunião da agência com representantes do Discord, a percepção da ANPD foi de que crianças e adolescentes estão "totalmente desprotegidos" na plataforma. E que se trata de uma opção da empresa não implementar medidas robustas para fazer o controle.
Denúncias contra o Discord aumentam
Conforme da Safernet, organização não governamental de defesa dos direitos humanos na internet, de janeiro a julho o número de denúncias envolvendo o Discord aumentou 54% ante o mesmo período de 2025.
Nos primeiros sete meses deste ano, foram 406, na comparação com 264 nesse intervalo no ano passado. É a maior média mensal de toda a série histórica do levantamento, iniciado em 2017.
Segundo a Safernet, o Discord está banido na Rússia, Turquia, Egito, Irã, Jordânia, Emirados Árabes Unidos e Camboja.
No caso da Rússia e Turquia, bloquearam o Discord em 2024 sob a acusação de descumprimento de ordens judiciais para a remoção de conteúdos ilegais
Busque ajuda
Se você está passando por sofrimento psíquico ou conhece alguém nessa situação, veja abaixo onde encontrar apoio:
Centro de Valorização da Vida (CVV)
Se estiver precisando de ajuda imediata, entre em contato com o Centro de Valorização da Vida (CVV), serviço gratuito de apoio emocional que disponibiliza atendimento 24 horas por dia. O contato pode ser feito por e-mail, pelo chat no site ou pelo telefone 188.
Canal Pode Falar
Iniciativa criada pelo Unicef para oferecer escuta para adolescentes e jovens de 13 a 24 anos. O contato pode ser feito pelo WhatsApp, de segunda a sexta-feira, das 8h às 22h.
SUS
Os Centros de Atenção Psicossocial (Caps) são unidades do Sistema Único de Saúde (SUS) voltadas ao atendimento de pacientes com transtornos mentais. Na cidade de São Paulo, é possível buscar os endereços das unidades nesta página.
Mapa da Saúde Mental
O site traz mapas com unidades de saúde e iniciativas gratuitas de atendimento psicológico presencial e online. Disponibiliza ainda materiais de orientação sobre transtornos mentais.
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