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O vice-ministro das Relações Exteriores do Irã, Kazem Gharibabadi, afirmou que o país ainda não decidiu se avançará para o segundo estágio de negociações com os Estados Unidos, considerando a base de "desconfiança" após recorrentes quebras de compromissos diplomáticos pelos americanos. Em entrevista à agência IRNA, Gharibabadi ressaltou que um acordo com Omã sobre o gerenciamento do Estreito de Ormuz não quer dizer que a rota marítima será reaberta.
"Afirmações dos EUA de que estão negociando conosco não são verdadeiras, não há negociações recentes. Mas, é claro, recebemos mensagens dos americanos", disse ele.
Questionado sobre o conteúdo das mensagens, Gharibabadi afirmou que os americanos estão prontos para retomar os compromissos do Memorando de Entendimento (MoU) de Islamabad, contudo, Teerã hesita em prosseguir diante da complexidade da situação geopolítica.
"Atualmente, diplomacia e ofensiva militar trabalham juntas", acrescentou. "O retorno dos EUA para o memorando é uma condição necessária para encerrar a guerra, mas não é suficiente depois de tantas quebras de promessas. É preciso novo comprometimento, declaração ou comentário que nos reassegure sobre o acordo. Continuamos firmes contra qualquer agressão americana."
O vice-ministro confirmou que o Paquistão convidou o representante do Parlamento do Irã e o ministro das Relações Exteriores para uma viagem diplomática, mas os preparativos ainda estão em andamento. As negociações com Omã para o gerenciamento de Ormuz também estão em progresso e devem ser "finalizadas e em breve", segundo ele.
Gharibabadi explicou que o entendimento com os omaneses visa reabrir algumas rotas da via marítima temporariamente, embora o processo de abertura tenha outros requisitos que dependem dos EUA. "Temos que ver progresso na liberação de ativos iranianos, retirada de sanções e cessão dos conflitos no Líbano, como determinado pelo MoU", disse ele à IRNA.
O vice-ministro rejeitou ainda quaisquer tentativas de "interferência externa" na administração do Estreito, deixando o controle apenas entre Irã e Omã.
"Nossa demanda, que inclusive já estava prevista no MoU, era de que as rotas marítimas de Ormuz fossem alteradas, porque as antigas não refletem mais as condições necessárias para garantir a já prejudicada segurança nacional do Irã", afirmou. "Agora, decidimos as rotas de entrada e saída do tráfego marítimo de modo alinhado com as dimensões de Omã".
Segundo ele, o memorando de Islamabad previa que o Irã seria responsável por todas as questões envolvendo a reabertura de Ormuz, incluindo os arranjos para passagem de navios comerciais livre de cobrança por um período de apenas 60 dias. "O MoU não diz qual rota deve ser usada", pontuou, admitindo que o conflito com os EUA recomeçou após desentendimentos em relação a isso.
O cessar-fogo entre Washington e Teerã chegou precipitadamente ao fim no mês passado, após ataques da Guarda Revolucionária Islâmica (IRGC, em inglês) contra embarcações em Ormuz provocarem retaliações dos EUA.
Gharibabadi apontou que a nova rota do Estreito de Ormuz será válida temporariamente por dois a quatro meses, com possibilidade de extensão desse período.
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